Editorial

Claudio Osiris de Oliveira

Resumo


No mês em que se comemora o dia do oceano uma reflexão se faz necessária sobre o que temos feito ao chamado “Planeta Água”.  A água recobre cerca de 70% do nosso planeta e estima-se que apenas 5% desse bioma é conhecido.

A nossa civilização foi concebida á partir dos oceanos. A expansão territorial só foi possível a partir da exploração dos mares onde o homem pôde compreender o Planeta e assim ampliar a sua ação sobre ele.

Estamos em meio a chamada Década do Oceano e, segundo a ONU, mais de 3 bilhões de pessoas no mundo dependem deles para sobreviverem, em especial nos países em desenvolvimento. Somente a poluição plástica e a sobrepesca causam uma perda mundial de US$ 90 bilhões anualmente. Essa é uma conta que custará muito alto em um futuro muito próximo.

Propostas e acordos são fechados todos os anos. Organizações e instituições governamentais ou não governamentais se encontram e determinam metas para conter o aumento da temperatura de 1,5°C. Essas metas são importantes para deter o aumento do nível dos oceanos que avança nas áreas costeiras e para diminuir acidificação que destrói a biodiversidade. Numericamente falando parece pouco, todavia estrategicamente falando é uma meta audaciosa e de difícil alcance.

Em meio a tudo isso temos a Ciência que com uma infinidade de estudos colaboram com o alcance dessas metas. Integrar os estudos sobre os oceanos é uma condição importante para que possamos aumentar o conhecimento global sobre esse bioma. Em um levantamento feito pela Dimensions (indexador que reúne mais de 125 milhões de artigos) o Brasil ocupa o 14º lugar entre os países que mais publicam pesquisas sobre os oceanos. O banco de teses da Capes revela 25 mil dissertações sobre o tema nos últimos 10 anos.

A integração de todos esses estudos trará grande benefício para as ações de curto, médio e longo prazo. Recentemente, os estudos relacionados à pandemia de COVID19 contou com um esforço conjunto e hercúleo onde tivemos respostas eficazes e concisas da Ciência em um curto espaço de tempo. Se desta mesma forma, unirmos os esforços no processo de integração das pesquisas em torno desse assunto tão importante, teremos mais chances de sucesso.

E assim é a Ciência, um oceano a ser explorado. O conhecimento é tal qual a imensidão dos oceanos. A cada mergulho mais profundo se conhece um pouco mais sobre o desconhecido. Quanto mais se sabe, mais se percebe que precisamos ir mais fundo para melhor compreendermos os segredos da vida. A pluralidade de vida dos oceanos e a pluralidade de conhecimento da Ciência nos faz enxergar o quão pequenos ainda somos. No entanto, assim como cada gota d’agua colabora para a formação do oceano, somos a pequena parte de um todo que é imenso, vasto e profundo. Avante na ciência, porque navegar é preciso!


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